Sábado Animado: Dan Deacon – Bromst

Dan Deacon é a versão humana de um urso de pelúcia. Gordo, barbudo, ruivo e sorridente, despontou para a cena underground com o lançamento do hilariantemente intitulado Spiderman of the Rings, que, entre outras coisas, fornecia aos seres humanos a sensação mais parecida com tomar seu Sucrilhos matinal com heroína sem tentar fazer isso de verdade. O disco era uma verdadeira bomba de açúcar, explodindo cores, magia e frenesi durante todos os seus 45 minutos de duração. Referências a desenhos que apareciam a cada dois minutos, remixes de sons de animações antigas e até uma canção chamada “Pink Batman” fizeram um dos melhores lançamentos de música eletrônica de 2007.

Bromst é uma criatura completamente distinta. Despido da aura cartunesca de Spiderman, Bromst é um disco essencialmente comtemplativo, perfeito para se ouvir em barracas de acampamento sob a lua cheia ou algum outro momento do gênero, como já indica a inicial “Build Voice”. Dizer isso é quase dizer que Deacon atirou para o lado oposto do que o fez no outro disco. Bem, quase. Apesar de nenhuma faixa possuir a risada do Pica Pau remixada (embora “Baltihorse” pareça possuir vocais do Happy Tree Friends), “Snookered” beira aquela alegria inocente do antigo trabalho, com cânticos acelerados a tresloucados rpm. O disco não tem uma centerpiece forte e longa como “Wham City”, mas dilui suas progressões em cada faixa (a maioria ultrapassa 6 minutos).

Progressões são, basicamente, o charme do álbum. “On the Mountains”, com seu pseudocoral indígena crescente, acaba levando a uma espiral de zumbidos agudos e dissonantes, e que, por sua vez, leva ao que poderia ser o culto de uma tribo a algum ente da natureza. “Surprise Stefani”, a faixa seguinte, mostra como seria se esse culto desse errado, toda construída em cima de notas dignas de filme de suspense e um vocal perseguidor. Mesmo quando foge das progressões, a música consegue encantar, como no lusco-fusco da faixa de encerramento, “Get Older”. Essas faixas são capazes de fazer os mais acesos a dançar, sim, mas o álbum sempre dá um jeito de contrabalancear com seções muito suaves, proporcionando alívio à euforia, coisa que Spiderman of the Rings só dava quando terminava.

Bromst, afinal, acaba sendo o perfeito complemento para o seu antecessor, mesmo que seja uma obra inteira e não requeira nenhuma audição adicional para completar-lhe o sentido. É a reflexão pela reflexão, não sugerindo unidade temática nem nada parecido. Deacon apenas diz a você que o mundo à sua volta é pleno e está cheio tanto dos mais sombrios fantasmas quanto das pessoas com a capacidade mais absurda de celebrar. Daí em diante, se você quer saber ou fazer parte disso, é com você.

Dan Deacon – Bromst (2009)

Rating: 4 de 5 maratonas de Pernalonga e Patolino

dan_deacon_bromst

(Clique na capa para entrar na cabana)

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