Faixa Seis Clássicos I: Miles Davis – Kind Of Blue

(escrito há dois meses)

Começo essa resenha de dentro do carro, a caminho da universidade. Dessa vez a greve da USP me pegou; estou há uns ”bons” 20 minutos parado. Logo, não há nada melhor para fazer do que, obviamente (not), escrever sobre um dos álbuns mais significantes do findo século XX. Kind of Blue, do ingualmente significante Miles Davis.

Miles foi, ao lado de John Coltrane, Thelonious Monk, Art Blakey, Kenny G (ops), um dos nomes mais importantes do jazz. Seus álbuns de meados do século passado foram as bases para estilos como o bebop, hardbop e o cool jazz, o jazz modal, entre outros e até hoje suas melodias e solos aparentemente dissonantes têm enorme relevância, não somente para o jazz, mas para o rock e até música clássica (há quem diga que é um dos álbuns mais influentes que já existiram).

Além de tudo isso, neste ano, este disco deve ser um dos mais relembrados, uma vez que foi lançado há cinquenta anos (foi lançado em agosto de 1959). Vale lembrar também que é sempre a minha escolha de “álbum-para-se-ouvir-quando-se-está-parado-no-trânsito-e-você-não-quer-ficar-estressado-logo-de-manhã (calma, andou um pouco).

Miles Davis é característico. Seu timbre, suas linhas de improviso, a criatividade, tudo é facilmente reconhecível após alguma experiência. Obviamente com o tempo houve mudanças no estilo de jazz que ele seguia, como a passagem do bebop para o modal, mas, no geral, percebe-se uma semelhança, um estilo peculiar. Kind of Blue é um álbum bem complicado, com progessões de acordes, melodias e improvisações. As faixas seguem, de certo modo, um certo conceito, e têm grandes semelhanças. Não cabe aqui descrever a parte técnica, mas, sem dúvida, é um grande marco para o estilo de jazz que obedece a uma progressão de modos musicais.

Acima de tudo, Kind of Blue é extremamente emocionante. Muito agradável para se ouvir, é talvez um dos melhores álbuns para se começar a ouvir jazz, talvez por todas as faixas serem relativamente tranquilas, melódicas, permitindo ao ouvinte entender bem as improvisações. É de uma simplicidade complexa, assim como fez Tom Jobim em suas músicas, que faz com que Davis tenha tanta importância para a música.

Chega de palavras. Ouça tal álbum. Pare qualquer atividade que esteja fazendo, dedique-se ao Kind of Blue, preste atenção, sinta todo o sentimento que conseguiram colocar em tal álbum. Todas as faixas são incríveis, cada uma com suas singularidades. So What, a primeira, é o melhor início que um álbum pode ter.

Miles Davis – A Kind of Blue (1959)

Rating: 5 de 5 semínimas

MilesDavisKindofBlue

(Clique na imagem e ouça)

1 comentário

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Uma resposta para “Faixa Seis Clássicos I: Miles Davis – Kind Of Blue

  1. Lya

    Antes de tudo, leio o blog há uns tempos, mas nunca comentei, shame on me. Mas dessa vez, não resisti. Como boa filha que sou (já que cresci ouvindo jazz/blues com meus pais), resolvi baixar o álbum pra ouvir e depois repassar pros velhos. E enquanto eu duelava com o iTunes, começou a chover lá fora. Acho que foi o que faltava pra eu me apaixonar pelo disco. Se você acha que foi relaxante ouvir o cd no raro transito de SP (-n), tenta ouvir com uma chuva lá fora – ao mesmo tempo que você não consegue fechar a janela, então parece que a chuva tá em você mesmo. O cd me fez esquecer até mesmo do frio que estava aqui (oks, um casaco e um cobertor ajudaram, mas não vem ao caso), e me levou pra outro lugar. O mesmo lugar que eu vou toda vez que meu pai coloca jazz pra tocar na hora da janta. Não sei você, mas o ‘quezinho’ sexy do jazz me faz ter vontade de pegar um casaco comprido de couro, ir pra um bar antigo, tomar uma taça de vinho e fumar um charuto (retire o charuto hm). E eu consegui encontrar isso no kind of blue. A simplicidade desse cd eleva seu valor ao máximo, e é isso que conquista nesse disco, você se cativa por causa do simples, ‘humilde’ som. Você sente como se todos os problemas tivessem sumido e só sobrou você e aquele sax. Se todo mundo fosse simples como o Miles, o mundo seria melhor (haha). Meus pesames pela maldita greve ter pego você, mas pelo menos, você foi muito bem acompanhado no pequeno (longo) período em que ficou no carro, convenhamos.

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