Too Much: Girl Talk – Feed the Animals

O século 21 já nos proporcionou várias surpresas no mundo da música, desde Animal Collective até Crystal Castles. Girl Talk (que de “girl” não tem nada, ele é um cara de 30 e poucos da Costa Leste americana) pode ser considerada uma delas. Quero dizer, esse cara estaria preso, há 10 anos atrás, se tentasse fazer sua música. Ele faz mash-ups, o que o colocaria junto com aqueles DJs medíocres que misturam coisas como “Wonderwall” e “Boulevard of Broken Dreams”, fazem esse tipo tipo de atrocidade uma ou duas vezes por mês, ganham uma graninha das rádios e das boates onde discotecam, e se dão por felizes.

Isso seria menosprezar totalmente o trabalho do Girl Talk. Primeiramente, ele lança álbuns. Numa era onde o mp3 parece dominar tudo, ele não perde tempo lançando singles avulsos, preferindo trabalhar em longas suites, dividi-las em faixas, e lança-las como uma peça coesa, como é o caso de Feed the Animals, quarto álbum dele, que saiu em 2008 e causou muito furor. A obra do Girl Talk é direta e mexe com os lados mais instintivos do ser humano – logo, acho que, ao falar da obra dele, seria apropriado seguir esse padrão. Simples assim, o disco consiste em uma hora de samples, non-stop. Nessa uma hora, você ouve de tudo, de tudo mesmo! O segredo de sua música é não se prender a nenhum gênero ou convenção, é ser livre para pegar os 15 segundos mais incríveis de todas as músicas que você conhece e juntá-los para fazer algo extraordinário, é impressionar pela capacidade de colocar, por exemplo, Gwen Stefani e Metallica na mesma faixa.

Em todo mash-up, no entanto, algo tem que ficar “por cima” no mix e, no caso do Girl Talk, o que fica “por cima” geralmente são vocais de rap. Isso acaba por fazer a faixa toda, às vezes, parecer alguma coisa cliché, estilo Timbaland-on-acid. A primeira metade do álbum sofre muito com essa decisão, não investindo em batidas realmente dançantes, mas sim, em criar uma espécie de experimental rap, se me permitem o termo. A segunda, por sorte, é muito mais inventiva, salvando a empreitada. Contando com uma das versões mais inspiradas de “Since You’ve Been Gone”, da Kelly Clarkson (!), para não falar do vocal de “Gimme More” da Britney sobre a bassline de “Remember”, do Air ou do riff de “Rebel Rebel” do Bowie, seguido do cântico de “Boyz” da M.I.A., essa metade recompensa o ouvinte.

Ao ser lançado, o álbum fez parte da lista de melhores do ano de muita revista estrangeira. Não me rasgarei em elogios pelo disco, seja porque talvez não seja muito fã de mash-up ou rap ou porque não veja esse disco como uma coisa plenamente divertida, como pretendia seu compositor. O maior motivo para se ouvir Feed the Animals é para tentar identificar todos os samples, sendo que muitas vezes, por as músicas não serem uma unidade plena, é muito comum você gostar somente de 15 ou 30 segundos da faixa e detestar o resto da mesma (repetindo o efeito do álbum de 2008 do of Montreal, Skeletal Lamping). Divertir-se com tudo isso dependerá muito do seu momento (funciona muito bem como disco pré-balada) ou do seu gosto por rap. Não tira a genialidade da música, mas tira sua universalidade, o que, num disco como Feed the Animals, é dizer muito.

Girl Talk – Feed the Animals (2008)

Rating: 3 de 5 animaizinhos rappers.

feedTheAnimals_news

(Clique na capa para queimar baixar o disco)

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