Gran Torino

Clint Eastwood é um queridinho da Academia, e todos sabem disso. Desde Sobre Meninos e Lobos, o astro septuagenário não pára de colecionar indicações e prêmios. Chegou ao ápice no épico duplo A Conquista da Honra/Cartas de Iwo Jima, uma obra que, apesar de muito bem feita, mostrava toda a pretensão de Eastwood em agradar os catedráticos do prêmio mais famoso (ou já seria infame, a essa altura?) do cinema. Essa mesma pretensão gerou A Troca, filme formulaico que denunciava uma preguiça atroz de seu diretor. Eastwood, que sempre misturou gêneros e criou novas convenções para os mesmos, se viu preso numa história de mocinha-injustiçada-que-luta-e-consegue-justiça. Alguns perguntaram se a idade já estava fazendo ele perder a mão, inclusive eu.

Simples e despretensioso, Gran Torino é Eastwood fazendo um filme para o público, com emoções verdadeiras, sem aquela hermeticidade que, às vezes, ameaçava o desempenho de Angelina Jolie em A Troca. Justamente por isso, é o melhor e mais agradável filme de Eastwood desde o já mencionado Sobre Meninos e Lobos. Eastwood interpreta um xenófobo veterano da Guerra da Coréia que, depois que um vizinho oriental tenta roubar seu carro para ser incluído numa gangue de rua, passa a interagir com seu meio e tenta melhorar a vida de sua comunidade. É certo que sempre o preferi atrás das câmeras, mas esse papel simplesmente foi feito para ele. É como Charlie Sheen em Two and a Half Men: ele se autointerpreta e é fantástico fazendo isso. O anti-herói é a figura máxima de Eastwood, e este aqui, preconceituoso, boca-suja, mas com grandes valores morais e senso de combate, é soberbo, bem como o resto do filme.

Eastwood já disse que seu papel em Gran Torino será seu último trabalho como ator. Sobre isso, teço dois comentários: primeiro, se isso for verdade, ele não poderia ter escolhido melhor papel para encerrar esse lado de sua carreira e, por último, fico na torcida para ele não parar de dirigir também. Ter fôlego nessa idade o coloca no patamar de diretores como Woody Allen e Ingmar Bergman (!), e indica que mais coisas boas vêm por aí.

Gran Torino (2008)

Rating: 4,5 de5 veteranos irritados.

gran-torino-poster

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