Faixas Seis Parte 2 de 2

Aqui continua a lista das “faixas seis”…

Lembrando: Clique nas capas para fazer seu Download.

Sheela-Na-Gig (Dry, 1992)

Tudo era muito bonitinho em 1992… not. Também nem podia, com aquele grunge todo no ar e a maior parte da pompa dos anos 80 indo embora, em favor da revolução do rock alternativo que aconteceria alguns anos depois. Então, até que foi um ano apropriado para a PJ Harvey entrar na cena musical. Dry, seu disco de estréia, continua muito querido, mesmo agora, 17 anos depois de seu lançamento. É merecido, é um disco agressivo sem ser punk, ácido sem ser art rock, e romântico (sim, romântico) sem ser melódico. Depois dele e do Rid of Me, o trio PJ Harvey acabaria, e ela continuaria a gravar discos mais suaves com esse nome, sem perder, no entanto, sua originalidade. Gosto de todas as fases dela, mas explosões como “Sheela-Na-Gig” se tornaram cada vez mais raras no seu repertório. Uma pena, emoções tão brutas quanto essas não deveriam ser contidas…

pj-cover-dry

Big Time Sensuality (Debut, 1993)

Sem exageros, mas é estranho pensar que, um dia, existiu um mundo sem Björk. Esta pequena esquimó/et/fadinha chacoalhou a música com suas batidas baseadas em vocais sampleados e letras sobre “exércitos de si mesma” mas, para aqueles que não lembram, ela surgiu em 1993 querendo ser meramente uma estrela pop. Diferente das outras, sim, mas ainda assim uma estrela pop. Claro que os clipes do Michel Gondry não ajudaram mas a mistura perfeita de canções intimistas como “Venus as a Boy” e faixas desinibidamente destinadas às pistas como “Violently Happy” fez seu Debut subir nas paradas européias rapidamente, até levando a moçoila a escrever uma música para Madonna. “Big Time Sensuality” soa tão discoteca-em-1993 que é impressionante como ainda consegue empolgar (e muito). Talvez seja a voz da Björk que confira à música uma certa atemporalidade. De toda forma, dance.

bjork-debut

Karma Police (OK Computer, 1997)

Eu serei sincero, nunca consegui compreender o Radiohead. Demorei para compreender Björk, certo, mas, até agora, nada de Radiohead entrar na minha cachola. Quem me conhecer e ler este texto vai estranhar a presença dessa música aqui. No entanto, vamos aos fatos: eu teria que ser um tolo para negar a importância do OK Computer para a década de 90. Seria a mesma coisa que alguém que não curte shoegaze ignorar a influência do Loveless e achar que está abafando. OK Computer criou toda a geração de roqueiros britânicos desesperados que iria florescer nos anos 2000 (Bloc Party sem Radiohead? Pff…) sem falar na ousadia musical que representou. OK Computer é O álbum pós-moderno e “Karma Police”, er… o single pós-moderno. Só o Radiohead para fazer multidões cantarem para a “polícia do karma” prender aquele garoto ou aquela garota. As coisas dão errado, vivamos com isso ou choremos todos.radiohead-ok-computer1

Remember (Moon Safari, 1998)

No passado, as boates não tinham lounge. Sério. No máximo, uns sofás numa salinha anexa, toda aberta para o barulho o da festa rolando. Relaxar ali devia ser impossível. Alguns seres benditos vieram com essa idéia de um ambiente separado, com iluminação e decoração próprias, que servisse como um pit-stop para o non-stop do evento. Esse ambiente requeria um tipo de som novo, claro, mas ficaria sem isso até o Air conceber o Moon Safari. A estréia do duo não podia ter sido melhor: com influências indo de Serge Gainsbourg a Massive Attack, Moon Safari é o ápice da cultura downtempo, um disco atemporal e que, mesmo agora, não encontra páreo. Se “Sexy Boy” consegue resumir tudo de mais legal no chill-out, “Remember” troca o ritmo um tanto quanto acelerado (acelerado para o padrão Air, ok) dela por um pouco mais de sentimento. Impossível não lembrar de um amor antigo, enquanto o teclado choraminga. Tocante.

air-moon-safari

Hate to Say I Told You So (Veni Vidi Vicious, 2000)

Okay, o que The Hives está fazendo aqui, certo? Como uma banda que conseguiu lançar quatro álbuns cheios de gritarias e riffs estridentes é tão influente quanto My Bloody Valentine ou Radiohead? Minha resposta: Imagine os anos 2000 sem “Hate to Say I Told You So”. Sem aquela energia, aquela dita gritaria, o garage rock revival não teria vingado. Sem exageros. The Strokes? Bom, onde estão eles agora? Fato é que a galera do Casablancas nunca teve pique para segurar um movimento. Sim, três álbuns muito bons (sim, eu gosto do First Impressions of Earth), mas segurar um movimento? Deixemos eles cuidando de se reunir para lançar alguma coisa e o garage rock revival, bem, fica nas costas do The Hives mesmo. Aquela pseudo-metideza deles finalmente haverá de servir para algo, além de fazer rir.🙂

veni_vidi_vicious1

Air War (Crystal Castles, 2008)

De 2000 para cá, não sei, talvez ainda não tenha dado tempo para nada repercutir, mas, fecho a lista com uma aposta para o futuro. A cena 8-bit, que já estava rolando no mundo underground há um tempo, alçou vôos nunca antes imaginados em 2008 com o lançamento do primeiro álbum do Crystal Castles. É uma loucura total, a maior cacofonia feita com sons de videogame realizada pelo homem, e talvez, cativante justamente por causa disso. Vai tão na contramão do electro limpinho das rádios que atrai, de uma maneira sombria quase. O Crystal Castles é sujo, fala de amores obsessivos e assassinatos e tem os teclados mais inovadores da última década. Arrisco-me a dizer que o emo poderia soar assim daqui a trinta anos se não fosse um modelo tão comercialmente moldado e se conseguissem sujar pelo menos a unha do pé sem dar chilique. A comparação foi feita para assustar, o susto é a alma desse grupo. “Alice Practice” é uma catarse de 2 minutos, a experiêncial musical equivalente a explodir diversos catolés grudados nas paredes de um banheiro minúsculo (com você dentro). “Good Time” é mais leve, algo parecido com o pop de 2052. “Air War”, última “faixa seis” dessa lista, é o meio-termo bizarro desses dois extremos. Pegue uma droga que você não conhece, tome, e espere. Você começa a sentir os efeitos, não sabe exatamente o que sente, mas sabe que toda a experiência pode acabar muito, muito mal. É assim que “Air War” se desenrola. Lá pelo 1 minuto e meio, a música ainda não começou plenamente. Você só ouve uns vocais distorcidos. O ritmo vai enloquecendo aos poucos. Você não sabe o que é, mas você gosta. E eu também.

crystal_castles

(fim)

Notinha de rodapé: Mais uma vez, lembro que esta é uma lista temática. Isso deve explicar a ausência de coisas óbvias como Pink Floyd (grupo esse com poucas “faixas seis”, se é que vocês me entendem), The Beatles, Ramones, U2, Bob Dylan, etc. Falou!

3 Comentários

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3 Respostas para “Faixas Seis Parte 2 de 2

  1. Larissa

    achei maran a idéia de terminar com crystal castles.

  2. gabrielromitelli

    tinha que fazer esse comentário: Björk parece com o vocalista do Tokio Hotel na capa do Debut…
    hahaha

  3. gabrielromitelli

    tinha que fazer esse comentário: a Björk parece com o vocalista do Tokio Hotel na capa do Debut…
    hahaha

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