Faixas Seis Parte 1 de 2

Como estou estou começando aqui (oooooi, gente), estou com aquele senso de que tenho que contribuir com algo diferente. Considerando a alcunha deste site, achei interessante a idéia de trazer algumas “faixas seis” famosas ou de importância cultural significativa. Adianto que essa NÃO é uma tentativa de lista de melhores faixas de todos os tempos, é meramente uma lista temática, e que ela é um óbvio produto de opinião. Se, quando um bando de caras de uma revista como a Rolling Stone, se reúne para fazer algo do gênero, a gente costuma achar presunçoso, que dirá eu, estudante classe média que só tem como mérito um pc no quarto? Tal presunção eu não tenho.🙂

Clique nas capas ou nos nomes dos discos para fazer seus respectivos Downloads.

Rebel Rebel (Diamond Dogs, 1974)

Ok, Bowie. Apesar daquela capa escandalosa, o Diamong Dogs é um disco mediano para o poderio do Camaleão. Ainda assim, produziu a bombástica “Rebel Rebel”. Isso é Bowie tentando tirar um último suspiro de vida de sua fase Ziggy Stardust enquanto podia… e conseguindo. Nenhuma outra faixa poderia ter encerrado o glam rock way of life de forma mais charmosa.

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She’s Lost Control (Unknown Pleasures, 1979)

Manchester, à noite, deve ser incrível. Factory Records, o fenômeno Madchester sound e as baladas faraônicas no La Haçienda. Claro, nada disso teria acontecido sem o Joy Division. Desenvolveram as bases para o movimento post-punk que explodiria na década seguinte e permitiram à Factory tocar o circo sem ser perturbada. O Unknown Pleasures é um dos poucos discos perfeitos que tive o prazer de escutar e “She’s Lost Control” tem muita responsabilidade nisso. Desesperadora, crescente, dançante, junto com “Disorder”, “Isolation”, “Digital” e “Love Will Tear Us Apart”, é uma assinatura do som do JD. Uma pena que o sonho acabou muito, muito cedo…

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Bizarre Love Triangle (Brotherhood, 1986)

Repitam aqui a primeira frase do texto anterior. Preciso comprar minha passagem para Manchester. Naquela mesma cidade, as cinzas do Joy Division resolvem se tornar New Order e praticamente inventar o synthpop. Deixando a guitarra de lado, abraçam os sintetizadores e a música pop para se tornar um dos mais populares atos de todos os tempos. Essa popularidade, no entanto, custou a vir. E veio com “Bizarre Love Triangle”, single do quarto álbum da banda, o Brotherhood. É pop, sim, e dos bons. Com essa música, eles provaram que eram os caras. Eles são o New Order. Você não é. E pronto.

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Kinda I Want To (Pretty Hate Machine, 1989)

Com os sintetizadores ecoando em todo lugar, foi idéia do zelador de um estúdio fazer algo realmente monstruoso com ele. O dito zelador, Trent Reznor, armou-se de guitarras, uniu-se ao sintetizador, tirou os sons mais estranhos possíveis de uma bateria eletrônica e, com isso, fundamentou o industrial rock. Sim, ele viria a ficar mais agressivo nos anos 90, em discos como Broken ou The Downward Spiral, seu clássico inegável, mas em Pretty Hate Machine, do NIN, tudo é muito novo, e nós gostamos. “Kinda I Want To” resume o disco: uma guitarra muito distorcida, uma bassline sintética, unidas a uma batida dance. Sucesso instantâneo.

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Enjoy the Silence (Violator, 1991)

Eu não nego, sou um devotee (fã de Depeche Mode). Se o New Order soube maestralmente lidar com o lado pop da música eletrônica, o DM o fez com o lado rock, chegando a inspirar o próprio Trent Reznor e seu Nine Inch Nails a fazer o já mencionado Pretty Hate Machine. Com a perda da vanguarda e o seu rival de brincadeira, o U2, tendo lançado dois clássicos (o War e o The Joshua Tree) e na iminência de lançar seu terceiro (Achtung Baby), a pressão sobe entre os membros do Depeche Mode. O resultado: o sem-falhas Violator. O álbum catapultou a carreira da banda a níveis estratosféricos e deixou, se não vários, um hit memorável, “Enjoy the Silence”. Memorável a ponto de que, para não tê-lo ouvido, você teria de não ter existido nos últimos 18 anos. “Enjoy the Silence” tem uma letra recitável, arranjos apoteóticos, refrão para preencher estádios e ainda dura 4 minutinhos e alguma coisa, perfeita para rádio. 1991, que ano…

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I Only Said (Loveless, 1991)

Como eu dizia, 1991 foi um bom ano. Teve pra todo mundo: Manchester bombava com a ascensão do Primal Scream, o grunge estava no auge, o britpop plantava raízes e… bem, tinha o shoegaze. O shoegaze está morto, tudo bem. Agora tenta ressucitar nas mãos de alguns atos suecos e de uns projetos bizarros avant-garde de Nova York, mas o shoegaze bom-e-velho está morto mesmo. Mas ele teve direito a algumas bandas que fizeram história. O My Bloody Valentine foi a maior delas; o maior expoente de uma cena fadada ao declínio devido à sua anticomerciabilidade e seu autofoco. Shoegaze era feito de e para shoegazeiros, period. Não é à toa, então, que Loveless tenha se tornado o melhor e mais famoso disco shoegaze da história. Aqui, os sentimentos são universais, as texturas são sublimes, a música é quase uma experiência alucinógena e a banda sabia disso. “I Only Said” é parte disso, uma distorção de guitarra repetida à exaustão enquanto o vocal se mistura lentamente com os outros sons. Fique atento, tem uns gemidos no meio da música que são capazes de levar a um or… ah, esquece, não dá para prestar atenção mesmo. Dá para se perder no meio do som, e só.

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(continua)

5 Comentários

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5 Respostas para “Faixas Seis Parte 1 de 2

  1. romitelli

    Curti demais o post, achei a idéia animal. Sem falar que Loveless e Unknown Pleasures são dois MONSTROS de discos. Eu coloquei os links de download e dei destaque aos títulos das faixas e aos nomes dos autores, mas fique a vontade para mudar o layout conforme seu próprio gosto.

  2. daniel valentim

    Pra mim, Loveless – ao lado de Goo – é um daqueles discos de que a gente não consegue se livrar jamais (no bom sentido)

  3. cafedebolso

    Valeu, meu! E esse dois discos realmente marcam a vida de uma pessoa… A propósito, adorei o layout, não sei fazer as paradinhas com os links, se puder fazer o mesmo com a parte 2, suuuuuper agradeço.

  4. Loucura, meu querido..

    Excelente contributor pra esse maravilhoso blog que é o FSeis.

  5. romitelli

    E é incrível como o My Bloody Valentine cresceu ao longo do tempo.. mas depois de lançar o Loveless, sumiu do mapa.

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