"Just A Fest Comandou"

E como. Tive também a sorte de poder presenciar o Just a Fest, e, de fato, comandou. Sem dúvida já é e muito provavelmente receberá dos inúmeros blogs de música o título de “Melhor Festival do Ano”. E é fato também que, mesmo sem os shows de Los Hermanos e Krafwerk, ainda assim o Just a Fest seria o melhor do ano. No entanto, não há como negar que ambos os shows tiveram sua relevância.

A começar pelos Los Hermanos. Banda que acompanhou meu Ensino Médio- com direito a duas apresentações, na grade, inesquecíveis- e que é, definitivamente, uma das bandas mais relevantes no país. Suas letras, harmonias, melodias, jeitinho de dançar, etc. cativaram muitos jovens brasileiros durante esses anos, preenchendo aquela grande lacuna cultural que temos. É uma das bandas que até hoje mais me emociona (talvez por ter sido trilha sonora de uma boa parte da minha vida), e já têm seu espaço na história da música brasileira. E eu poderia continuar falando deles por um bom tempo, o que talvez faça em algum outro post.

Mas o fato é que não senti a mesma vibração que senti nos outros dois shows a que fui. Talvez por eu não ter ficado bem na frente, ou pelo lugar ser maior do que onde aconteceram os outros, ou qualquer outra razão. Mas senti também que a banda não estava com o mesmo tesão que eles tinham no passado. E é justamente aqui que se concentra a minha crítica ao show deles.

Acho que a apresentação não fez sentido pra eles. Pra mim, pelo menos, não. Criaram a expectativa “a volta dos Los Hermanos”, mas eu não vivenciei a tal volta. Foi até meio constrangedor ver Amarante e Camelo agachados na frente de seus pedais de efeitos, logo após a abertura de “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, fazendo os famigerados “barulhos” (comunicação com ETs, segundo meu irmão), como faziam nas turnês passadas. Aquelas músicas não faziam mais sentido pra eles. Cada um tem projetos novos, mente nova, estilos novos, e o show de retorno mereceria músicas novas. Mas entendo, não foi a volta. Então, espero pelo retorno oficial, pós recesso.

Quanto ao show do Kraftwerk, já esperava aquilo, tendo em vista os vídeos a que assisti dias antes do show. Não é uma banda muito conhecida por mim, mas, como tantos dizem, foram praticamente os inventores e popularizadores de música eletrônica, nos anos 70. São grande influência de infinitas bandas e artistas do mundo eletrônico, e tiveram grande importância histórica, sem dúvida.

No show, música e vídeo se complementam, se fundem, são inseparáveis. Tal experiência sonora-visual é muito curiosa, e, enquanto durou, percebi que assistia a alguma coisa importante; fiquei imaginando como eles acompanharam a história, tentei ligar sua música às músicas contemporâneas, tentei imaginar como eles conseguiam fazer aquele som, aquelas imagens. É fato que fui atrapalhado por um grupo de mau gosto que passou o tempo todo falando mal do som, de mim (que estava dançando) e insistindo que, na verdade, a banda estava no MSN e no Orkut… Enfim, o show foi muito interessante, mas não foi o êxtase do evento, longe disso.

Já a última e mais aguardada apresentação, o auge, a razão de eu estar lá, era o Radiohead. Uma das bandas mais conceituadas, mais relevantes da atualidade. Na turnê de, na minha humilde opinião, um dos mais importantes álbuns da década (teremos um top 10 da década um dia, acho que no ano que vem), In Rainbows. Só por tais razões este show já tinha tudo para ser muito bom. Mas foi além das minhas expectativas. Não foi o que eu esperava. Foi além.

As luzes se apagam, e, logo depois, começa a linda batida eletrônica 5/4 de 15 Step. Pronto. Já não acredito no que estou vendo. Disbelief é a palavra que chega mais próximo de traduzir o que senti. Ainda assim não traduz o que foi a sensação que senti quando começou There There, e depois com The National Anthem. E por aí seguiu a performance, numa perfeição, num gozo de pouco mais de duas horas, êxtase inexplicável. Quem estava lá, se não sentiu o mesmo, percebeu que havia pessoas sentido isso. O show mais aguardado de milhares de pessoas era realidade, e, mesmo assim, eu não acreditava. “Não, eles não estão tocando Weird Fishes/Arpeggi”. Idioteque, inacreditável. Dois bis generosos. Creep no final, porque fazia muito sentido. E assim acabava o show que não tem adjetivos ou advérbios que expliquem. E não havia qualquer palavra que pudesse traduzir o que foi aquilo. Na verdade, nem havia por quê tentar explicar o show. Eu não precisava conversar com ninguém. Depois era eu comigo mesmo, tentando guardar todos aqueles momentos, tentando entender, em vão. Não preciso entender. Com certeza essas palavras não chegaram nem perto de explicar o que é um show do Radiohead.

1 comentário

Arquivado em kraftwerk, los hermanos, radiohead

Uma resposta para “"Just A Fest Comandou"

  1. Lari

    “E não havia qualquer palavra que pudesse traduzir o que foi aquilo. Na verdade, nem havia por quê tentar explicar o show. Eu não precisava conversar com ninguém. Depois era eu comigo mesmo, tentando guardar todos aqueles momentos, tentando entender, em vão. Não preciso entender. Com certeza essas palavras não chegaram nem perto de explicar o que é um show do Radiohead.”

    Me identifiquei muito. Morri aqui.

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