Samba pa Ti

Sou um charlatão, sou um afrossamba, e canto minha ossanha pra ninguém me desdenhar. Canto a Exus, Caboclos e a todos os orixás, afim de buscar a minha comunhão com o doloroso deleite da paixão incontrolável. E nos meus refrões chamo todas essas mulheres da minha vida para me acompanhar – seja com a voz presente ou em meu coração. Junto de mim, um negro de unhas afiadas faz de um pedaço de madeira cenário para minha expressão, caçando suspiros que estão a sapatear nas cordas de um violão, assim como Cartola fez, com notável habilidade e inspiração.

E foi assim que nasceu tal batuque: bossa do nordeste, fruto das crenças e culturas locais, suave macaxeira, misturada com cachaça até melar nossos pés. Um disco clássico, pra ser ouvido com amor (que por sinal vem com muita dor, segundo nosso poeta), mas com aquela malandragem – e claro, um pouquinho de preguiça. Baden e Vinícius, pérolas no contraste das cores, criando um tom novo, quase que indefinível se vindo da África, das orleans ou da lusitana, talvez pra se dizer novo… e porque não, tupiniquim de coração.

Baden Powell e Vinícius de Moraes – Os Afrossambas (1966)

(Clique na capa para fazer o download)

1 comentário

Arquivado em Baden Powell, Vinícius de Moraes

Uma resposta para “Samba pa Ti

  1. Lari Almeida

    AMEEEEEEEI O POST, IRAN!

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