Cinco folhas sobrando

Conheci, graças ao meu irmão, um fantástico e injustiçado músico inglês. Portando semelhanças óbvias com Jeff Buckley, Nick Drake teve sua carreira interrompida prematuramente, fruto de uma overdose de anti-depressivos. Viveu frugalmente, já que não conheceu a fama em vida, mas ainda assim construiu, em um espaço de 6 anos, três ótimos discos oficiais.

O primeiro deles, aquele que guardo como meu favorito, é uma verdadeira exposição do talento de Drake para tocar guitarra e compor, ainda intocado pela forte melancolia que afetaria, em especial, o último album. Five Leaves Left é inspiradíssimo, tendo suas principais canções formadas por arranjos de uma genial e charmosa simplicidade; violão, baixo e uma leve percussão representam a maioria de suas músicas.

O disco justifica sua posição como uma das melhores obras folk de todos os tempos desde suas primeiras notas; Time Has Told Me é apaixonante, apresentando o dedilhado único de Drake e a sua capacidade de criar letras no mínimo inconvencionais. A também ótima – porém mais sóbria – River Man é a próxima, complementada por um trabalho executado em violinos.

Algumas faixas mais tarde, ‘Cello Song, marcada pelo batucado latino e pela óbvia presença do violoncelo, merece a tecla repeat do seu rádio. Já Day is Done, ao lado de Man in a Shed, é, pessoalmente, a mais forte de Five Leaves Left, principalmente pelo violão afiado do músico. A balada Saturday Sun, por sua vez, fecha o ciclo consistentemente, mostrando um lado diferente de Drake.

Em termos negativos, há, sim, alguns momentos insossos, nos quais sinto que faltou a contribuição, talvez, de outros músicos e instrumentos. As melhores tracks, paralelamente, abrem caminho para um crescimento (progressão, permitam-me) que nem sempre ocorre. Nada dramático, no entanto.

Menção especial, portanto, para os folkistas de plantão e, claro, para os fãs do clã Buckley. Uma valiosa adição, entretanto, para a discografia de qualquer musicófilo.

Nick Drake – Time Has Told Me (1969)
Rating: 4,35 de 5 membranofones.
(Clique na capa para fazer o download)

2 Comentários

Arquivado em nick drake

2 Respostas para “Cinco folhas sobrando

  1. Anonymous

    não seria ‘5 folhas faltando’?

  2. Igor Romitelli

    meio cheio, meio vazio, bla, blé, bli

    ¬¬

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