Vaughan, Stevie Vaughan

Poucos tiveram uma carreira bizarramente única como a de Stevie Ray Vaughan. Influenciado pelo irmão, desistiu da bateria para futuramente ser aclamado como um dos deuses pagãos da guitarra. Sua vida musical foi explosiva e curta, interrompida por uma mistura perigosa de azar, helicópteros e um morro inconvenientemente localizado. Ainda assim, deixou em nossa memória e ouvidos seu visual cowboy indefectível e um ótimo cd de blues.

Como qualquer compositor do gênero nos anos 70, Vaughan patinava na obscuridade, tentando ressucitar o que há décadas deixara de ser mainstream. No entanto, seus dedos mágicos e modos estilosos acabaram por chamar a atenção de ninguém menos que David Bowie e Jackson Browne. Partiu do último o convite de compilar um album, posteriormente adotado pela gravadora A&R. Dessa oportunidade nasceu Texas Flood, um sucesso estrondoso e inesperado de crítica e vendas, que catapultou de forma magéstica o texano para a fama. Em menos de 2 anos encontraria-se ao lado de Jeff Beck, Clapton e outros “cachorros magros” da guitarra.

Para quem desconhece o trabalho de Stevie e seu Double Trouble, Love Struck Baby é uma verdadeira aula. Abre o disco com um lick balançante, descambando para uma levada inconfundível e solos soberbos mas sem floreios. Segue Pride and Joy, merecidamente o som mais conhecido do músico. Afiadíssima, sua guitarra é complementada por sua voz perfeitamente encaixada em um poderoso arranjo base. Em seguida, o ritmo fica mais lento com a faixa título, que apresenta um blues calmo e riffs de levantar defunto.

Tell Me, uma felicíssima cover, acelera o passo com uma melodia mais suja, abrindo caminho para um segundo momento do album. Testify e Rude Mood destacam-se das demais por serem instrumentais, a segunda ainda representando o auge da técnica de Vaughan. Depois da contagiante Mary Had A Little Lamb, vem Dirty Pool e I’m Cryin’, ambas com um tom mais negativo e emocional que o resto das músicas. Lenny, dedicada à sua esposa, coloca magnificamente o ponto final com timbres tropeçando para o lado do jazz.

Pegue o carro, coloque um chapéu, uma capa de chuva e esse blues de primeira no toco. Ao parar no sinal, detone no air guitar, dedicando o solo pirotécnico à senhorita ao lado. Volte para casa 3 anos mais novo, 10 kilos mais leve e aprenda a falar Vaughan direito.

Stevie Ray Vaughan and Double Trouble – Texas Flood (1983)
Rating:
4,25 de 5 torneiras roubadas do Engenhão.Download

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