Pseudo-italianos

Glasgow está oficialmente no mapa musical. Depois dos garotos serelepes do Franz Ferdinand vêm os descabelados Fratellis. Estes, após uma tentativa um tanto meia-boca de repatriação (que italiano verdadeiro se chama Barry Fratelli?), debutam musicalmente com o surpreendente disco Costello Music.

Falo supreendente por, infelizmente, um pequeno preconceito pessoal. A MTV, manipuladora que é, estava fazendo uma campanha digna do partido comunista chinês para divulgar a banda escocesa. Fiquei com um pé atrás, mas enfim decidi ouvir e, bem, aqui está o post.

Em termos de ascendência, tiveram uma de botar inveja no Gustavo Lins. Passaram de bicos em bares sujos para um CD profissionalmente produzido em menos de um ano. Se não bastasse, ganharam vários prêmios, decretando sua soberania como melhor banda estreante do Reino Unido. Explosivo é pouco.

Deixando os pormenores de lado, o que esses rapazes sabem fazer de verdade é rock honesto e elétrico. Honesto pois, embora eventualmente evoquem bandas como Arctic Monkeys e o próprio Franz, eles produzem um som que ainda carece de aperfeiçoamento. A personalidade é um dos grandes diferenciais dos “irmãos” Fratellis, conferindo ao album um tom divertido quase único. Henrietta, que abre o disco, é estupidamente balançante e viciante. Além disso, denota todos os elementos que compõem a banda: o vocal despojado, as guitarras leves, a bateria marcante e os gritos bizarros.

Podemos destacar também Flathead por sua melodia simples e descompromissada, repleta de manifestações guturais. Já Cuntry Boys & City Girls apresenta um ritmo mais rápido e linhas de sopro encaixadas na base frenética. O ponto alto do disco é degladiado homericamente por Whistle for the Choir e Everybody knows you cried Last night. A primeira, talvez por se diferenciar das demais, acaba levando a coroa de louros.

Recentemente foi largada por algum safado? Trancafiada em casa numa tarde chuvosa? Trilha sonora para uma pista de dança regada à álcool? The Fratellis cumprem quaisquer desses papéis perfeitamente. Podem não ser o supra-sumo da instrumentalidade, mas levantam qualquer um com Creeping up the Backstairs. Caso contrário, tenha certeza: você é um zumbi. E um zumbi chato, não um dançante de Thriller.

The Fratellis – Costello Music (2006)
Rating: 4 de 5 costeletas “pega-rapaz”.

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