In tune with my libido

Inspirado pelo meu queridíssimo Iran, volto da minha intensa hibernação com um personagem recente da novela musical que é minha vida. Por estar apresentando um artista que, julgo, ser completamente novo para a extensa maioria das pessoas, focalizarei em sua identidade artística, deixando que a discografia fale por si mesma.

Após a epopéia que foi a separação do The Stone Roses, banda da qual era vocalista, Ian Brown não perdeu tempo. Mergulhou de nariz em seu projeto solo, este um tanto divergente da linha seguida por seu antigo grupo. Desde o primeiro album, o Unfinished Monkey Business, deixou claro que utilizaria o experimentalismo como parte de seu leque sonoro.

Assim, Brown une uma melodia com resquícios dos Roses à pontadas de psicodelia e espirros eletrônicos. Vale ressaltar, também, que tal tendência acaba tornando seus cds consideravelmente heterogêneos entre si. Enquanto o Golden Greats possuí uma abordagem muito mais voltada para os sintetizadores, seu sucessor, Music of the Spheres, desacelera o ritmo com construções mais orgânicas.

Preenchendo o vazio sintético estão arranjos afiados de violão, guitarra, violino, piano e qualquer coisa que o vocalista encontrava pela frente. Embora sua voz não seja exatamente seu ponto forte, a rouquidão com que canta se encaixa harmonicamente ao acabamento frequentemente cru das faixas. O produto final, amálgama dos elementos supracitados, acaba sendo uma música extremamente cool.

Tal sensação é estupidamente evidente em Set My Baby Free, auge do Golden Greats. Com uma batida contagiante, uma letra ácida e o vocal estupendo, custa a deixar seus neurônios. Podemos destacar também a pimpástica Dolphins were Monkeys e a suave Love like a Fountain. Golden Gaze surpreende com acordes que combinam porém parecem não se suceder perfeitamente.

Em Music of the Spheres procure por Stardust e Shadow of a Saint – ambas impecáveis, amargas e com letras inspiradas. Não esqueça de ouvir a orquestrada F.E.A.R., esta com um refrão bizarramente marcante e um tom diferente das outras composições de Brown.

Deixo estes dois discos, os mais fortes da carreira solo do ex-Stone Roses. Têm suas falhas, infelizmente, principalmente no quesito homogeneidade. Trata-se daquele tipo de músico cujas compilações dos greatest hits destroem, mas não necessariamente os albums individuais. No espectro geral, no entanto, são duas boas opções pra quem está cansado de ouvir sempre a mesma coisa.

Ian Brown – Golden Greats (1999)
Rating:
4 de 5 bigodes anos ’60, baby!

Ian Brown – Music of the Spheres (2001)
Rating:
3,75 de 5 Raul Seixas no karaokê.

2 Comentários

Arquivado em ian brown

2 Respostas para “In tune with my libido

  1. Lari Almeida

    que preguiça de postar tudo de novo😮

  2. Iran Ribas

    posta os melhores.. vc nem tem tantos posts, NEGA!

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