Ao silêncio

Vou deixar a febre pra lá,
guardar os sapatos e gastar
um pouco do tempo,
já tenho de sobra pelo que me cobrava

pra tirar do travesseiro
o sangue das feridas cicatrizadas
assoprando os joelhos,
me dizendo a todo tempo “vai passar”

Eu te peço, não fica!
minha mente compulsiva briga
usando todo “sim” que ouvi
pra iluminar o deleite que deixei na sombra

Dos pensamentos
que tive naqueles lençóis
Das minhas três casas
onde toda decisão foi reconsiderada
até o fim.

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… de ouvir a razão.

Estaria mentindo se não soubesse como te beijar agora
Mas diria a verdade se ficasse parado em seguida
Ninguém me avisou, não ia chorar na saída
mas um bocejo foi o que deu pra disfarçar.

Não é mágoa, talvez seja receio
De que o frio daqui seja pouco, que o verde vá estragar
Antes de te ouvir reclamar, devolver as chaves e suas botas,
esquecer de mim e voltar a andar.

É tudo questão de tempo, talvez nem goste mais
dos carinhos, minhas coxas como travesseiro,
Meus dedos de maresia, seus cabelos

Como um velho a divagar nos mares
no breve amor que não tive desprezo
indago se há cinzas do que ficou

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Que venham os céus azuis: Noah and the Whale – The First Days os Spring

É com grande alegria que descobri, há alguns dias, que Noah and the Whale, banda britânica que nos deliciou com um incrível álbum no ano passado – e que fez grande sucesso no verão europeu/americano- lançará, a 31 de agosto, seu próximo álbum, The First Days of Spring. Além do álbum, os membros da banda disseram que será lançado um filme junto, levando o mesmo nome. Meio curioso o nome do álbum, já que agosto/setembro são “os primeiros dias de primavera” do hemisfério sul, não do norte, ao qual pertencem.

No entanto, creio que o álbum-filme leva tal nome justamente em razão das faixas, do conteúdo. Noah pode ser facilmente associado a um dia de primavera, mais especificamente uma manhã, um vento soprando, refrescante, o sol já visível no horizonte, um bule no fogão esquentando a água para o café, a mesa arrumada.

Enfim, espero ansiosamente pelo dia do lançamento, e tenho certeza que The First Days of Spring será um dos mais elogiados álbuns deste ano. Por enquanto, a banda (seguindo a lógica atual de lançamento de álbuns: single-videoclipe-sessão de fotos-álbum vazando-lançamento oficial-turnê EUA/Europa) lançou seu single Blues Skies junto com o vídeo, de muito bom gosto, por sinal.

E seguem a linha do álbum anterior, com belas letras e aquele ar talvez melancólico, mas esperançoso. Ótimo!

Deixo aqui, por fim, o videoclipe de Blues Skies, junto com a letra. Abraços, até o próximo post.

This is a song for anyone with a broken heart
This is a song for anyone who can't get out of bed
I'll do anything to be happy
Oh cause blue skies are coming but I know that it's hard

This is the last song that I write while still in love with you
This is the last song that I write while you're even on my mind
Cause it's time to leave those feelings behind
Oh cause blue skies are coming but I know that it's hard

I don't think that it's the end
But I know we can't keep going
I don't think that it's the end
(I don't think that it's the end)
But I know we can't keep going
(But I know we can't keep going)

But blue skies are coming
(blue skies are coming)
Oh yeah blue skies are coming
(blue skies are coming)
Oh well blue skies are coming
But I know that it's hard

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Glamour e sujeira oitentista: Elefant – The Black Magic Show

Segundo álbum da banda nova-iorquina liderada pelo argentino muy hermoso Diego Garcia que vem numa pegada mais tristonha em relação ao seu antecessor. Nesse disco os amores anteriormente conquistados em ‘Sunlight Makes Me Paranoid’, agora perdidos em ‘The Black Magic Show’ deixam uma aura mais sombria. Agora o trabalho é mais polido, limpo, com guitarras menos gritantes, ainda que conte com arranjos mais bem trabalhados.

A banda segue a linha do revisionismo oitentista, captando a essência dos anos 80 (trazida por The Cure, Duran Duran, New Order e Joy Division) e a transportando e modernizando com glamour e frescor para o século 21. Além de lembrar som levemente sujo de Sonic Youth e a garageira de Iggy Pop, reafirmando a era romântica do pop de NY e praticamente imune às influências do punk-funk que bate ponto no som de grupos como Franz Ferdinand e Bloc Party.

O disco vai do começo ao fim com belas melodias, linhas simples e bem marcadas de baixo (como as que apareciam em discos do Pixies) e montes de curiosidades – como o fato da banda ter convidado Don Gilmore para produzir o disco. Teclados e bateria chupados da new wave, vocal levemente choroso – qualquer semelhança com Morrissey não é mera coincidência -, letras melancólicas e uma vontade louca de fazer os outros dançarem são a tônica neste segundo disco do Elefant.

Logo na primeira faixa, iniciam com:  “The freaks have come out tonight, and they already have begun. There’s no difference between wrong and right. Welcome to the Black Magic Show.” Parecendo mesmo ser uma canção dos The Smiths.

É um álbum que se ouve bem, com faixas que à segunda e terceira audição, ficam entranhadas nos ouvidos, como em “The Clown” pelo romantismo a la David Bowie, os riffs delicados e o refrão pop e pesado de “Uh Oh Hello“, a nostálgica “Why“, a sombria e quase operística “My Apology“, a dançante (mas baseada em riffs distorcidos) “The Lunatic” e “Brasil“, que de referência ao país não há nenhuma, parecendo mais um fado.

Elefant é sinônimo de estilo, segurança e pose classuda. E The Black Magic Show pode não ser um álbum novo, mas é realmente muito bom, vale a pena baixar.

Elefant – The Black Magic Show (2006)

http://rapidshare.com/files/145228843/E-TBMS__GIRnR.zip

(Clique aqui para fazer seu download)

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Sábado Animado: Dan Deacon – Bromst

Dan Deacon é a versão humana de um urso de pelúcia. Gordo, barbudo, ruivo e sorridente, despontou para a cena underground com o lançamento do hilariantemente intitulado Spiderman of the Rings, que, entre outras coisas, fornecia aos seres humanos a sensação mais parecida com tomar seu Sucrilhos matinal com heroína sem tentar fazer isso de verdade. O disco era uma verdadeira bomba de açúcar, explodindo cores, magia e frenesi durante todos os seus 45 minutos de duração. Referências a desenhos que apareciam a cada dois minutos, remixes de sons de animações antigas e até uma canção chamada “Pink Batman” fizeram um dos melhores lançamentos de música eletrônica de 2007.

Bromst é uma criatura completamente distinta. Despido da aura cartunesca de Spiderman, Bromst é um disco essencialmente comtemplativo, perfeito para se ouvir em barracas de acampamento sob a lua cheia ou algum outro momento do gênero, como já indica a inicial “Build Voice”. Dizer isso é quase dizer que Deacon atirou para o lado oposto do que o fez no outro disco. Bem, quase. Apesar de nenhuma faixa possuir a risada do Pica Pau remixada (embora “Baltihorse” pareça possuir vocais do Happy Tree Friends), “Snookered” beira aquela alegria inocente do antigo trabalho, com cânticos acelerados a tresloucados rpm. O disco não tem uma centerpiece forte e longa como “Wham City”, mas dilui suas progressões em cada faixa (a maioria ultrapassa 6 minutos).

Progressões são, basicamente, o charme do álbum. “On the Mountains”, com seu pseudocoral indígena crescente, acaba levando a uma espiral de zumbidos agudos e dissonantes, e que, por sua vez, leva ao que poderia ser o culto de uma tribo a algum ente da natureza. “Surprise Stefani”, a faixa seguinte, mostra como seria se esse culto desse errado, toda construída em cima de notas dignas de filme de suspense e um vocal perseguidor. Mesmo quando foge das progressões, a música consegue encantar, como no lusco-fusco da faixa de encerramento, “Get Older”. Essas faixas são capazes de fazer os mais acesos a dançar, sim, mas o álbum sempre dá um jeito de contrabalancear com seções muito suaves, proporcionando alívio à euforia, coisa que Spiderman of the Rings só dava quando terminava.

Bromst, afinal, acaba sendo o perfeito complemento para o seu antecessor, mesmo que seja uma obra inteira e não requeira nenhuma audição adicional para completar-lhe o sentido. É a reflexão pela reflexão, não sugerindo unidade temática nem nada parecido. Deacon apenas diz a você que o mundo à sua volta é pleno e está cheio tanto dos mais sombrios fantasmas quanto das pessoas com a capacidade mais absurda de celebrar. Daí em diante, se você quer saber ou fazer parte disso, é com você.

Dan Deacon – Bromst (2009)

Rating: 4 de 5 maratonas de Pernalonga e Patolino

dan_deacon_bromst

(Clique na capa para entrar na cabana)

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Faixa Seis Clássicos I: Miles Davis – Kind Of Blue

(escrito há dois meses)

Começo essa resenha de dentro do carro, a caminho da universidade. Dessa vez a greve da USP me pegou; estou há uns ”bons” 20 minutos parado. Logo, não há nada melhor para fazer do que, obviamente (not), escrever sobre um dos álbuns mais significantes do findo século XX. Kind of Blue, do ingualmente significante Miles Davis.

Miles foi, ao lado de John Coltrane, Thelonious Monk, Art Blakey, Kenny G (ops), um dos nomes mais importantes do jazz. Seus álbuns de meados do século passado foram as bases para estilos como o bebop, hardbop e o cool jazz, o jazz modal, entre outros e até hoje suas melodias e solos aparentemente dissonantes têm enorme relevância, não somente para o jazz, mas para o rock e até música clássica (há quem diga que é um dos álbuns mais influentes que já existiram).

Além de tudo isso, neste ano, este disco deve ser um dos mais relembrados, uma vez que foi lançado há cinquenta anos (foi lançado em agosto de 1959). Vale lembrar também que é sempre a minha escolha de “álbum-para-se-ouvir-quando-se-está-parado-no-trânsito-e-você-não-quer-ficar-estressado-logo-de-manhã (calma, andou um pouco).

Miles Davis é característico. Seu timbre, suas linhas de improviso, a criatividade, tudo é facilmente reconhecível após alguma experiência. Obviamente com o tempo houve mudanças no estilo de jazz que ele seguia, como a passagem do bebop para o modal, mas, no geral, percebe-se uma semelhança, um estilo peculiar. Kind of Blue é um álbum bem complicado, com progessões de acordes, melodias e improvisações. As faixas seguem, de certo modo, um certo conceito, e têm grandes semelhanças. Não cabe aqui descrever a parte técnica, mas, sem dúvida, é um grande marco para o estilo de jazz que obedece a uma progressão de modos musicais.

Acima de tudo, Kind of Blue é extremamente emocionante. Muito agradável para se ouvir, é talvez um dos melhores álbuns para se começar a ouvir jazz, talvez por todas as faixas serem relativamente tranquilas, melódicas, permitindo ao ouvinte entender bem as improvisações. É de uma simplicidade complexa, assim como fez Tom Jobim em suas músicas, que faz com que Davis tenha tanta importância para a música.

Chega de palavras. Ouça tal álbum. Pare qualquer atividade que esteja fazendo, dedique-se ao Kind of Blue, preste atenção, sinta todo o sentimento que conseguiram colocar em tal álbum. Todas as faixas são incríveis, cada uma com suas singularidades. So What, a primeira, é o melhor início que um álbum pode ter.

Miles Davis – A Kind of Blue (1959)

Rating: 5 de 5 semínimas

MilesDavisKindofBlue

(Clique na imagem e ouça)

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O que você ouvirá neste semestre que virá: Passion Pit – Manners

Este post é a definitiva premonição do que você mais ouvirá no segundo semestre de 2009. Mais precisamente depois que acabarem os festivais de verão da Europa (leia-se Glastonbury, Oxegen, Roskilde, Pukkelpop, T in the Park, Lowlands, Reading, Leeds, etc. etc. etc.).E a banda mais ouvida da segunda metade do ano será Passion Pit, junto com Lady Gaga e Michael Jackson (este último só até setembro, outubro). É fato que ouvirá The Reeling, primeiro single e absurdamente dançante, seguindo toda essa linha oitentista que tem aparecido nos últimos anos. E depois baixará o álbum, Manners, e conhecerá as outras boas músicas, como Make Light, primeira faixa, Little Secrets, entre outras boas faixas, em geral com grande apelo dançante. Manners é um álbum cheio de sintetizadores, baterias com o cymbal no contratempo, falsetes, vocoder, calças skinny, wayfarers. Tudo como tem que ser hoje em dia.

Passion Pit segue tudo isso a risca, e o faz muito bem, diga-se de passagem. O quinteto dos Estados Unidos, que lançou neste ano seu álbum, definitivamente aparecerá nos blogs e resenhas de fim de ano, como “um dos dez álbums mais significativos e dançantes de 2009″. E é realmente muito bom, apesar de soar como muitas outras bandas que surgiram nos últimos dois anos. A banda tem sua originalidade, e os membros pouco se parecem com as demais bandas que tocam tal estilo (diferente, por exemplo, de Late of  The Pier – veja a foto). Passion Pit é gostosamente dançante, além de despretensioso, divertido. Por fim, seus shows têm recebido críticas positivas, e incluem fãs cantando as linhas de synth e dancinhas exóticas, obviamente.

Em suma, baixe, aprenda a cantar The Reeling e você estará por dentro da onda hype do segundo semestre de 2009. Seguramente conhecerá uma das músicas mais tocadas nos clubes, festivais, discotecagens, lastfms.

Passion Pit – The Reeling (2009)

Rating: 3 de 5 óculos com aro grosso

Manners

(Clique na capa para fazer seu download)


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